Quando a gente convive com um pet, percebe rápido que eles têm um jeito próprio de “falar” com o corpo. Só que, diferente de nós, cães e gatos não conseguem explicar onde dói, o que mudou, se a sensação é de enjoo ou de cansaço. Por isso, conhecer as doenças mais comuns em cães e gatos e os sinais que aparecem no dia a dia é uma forma inteligente de cuidar e de evitar que um problema simples vire algo mais sério.
O objetivo deste artigo é te ajudar a enxergar o que realmente importa: os sintomas mais frequentes, como prevenir situações comuns e quando procurar um veterinário sem “esperar para ver”. Com informação de qualidade, você ganha segurança para agir no tempo certo, sem pânico e sem atrasos.
Importante: este conteúdo não substitui uma consulta. Ele serve como guia para orientar observação e decisão. Se algo parece fora do normal, vale buscar avaliação profissional e exames quando necessário.
Índice
Antes de tudo: sinais gerais de que algo não vai bem
Muitas doenças diferentes podem gerar sinais parecidos. Então, mesmo que você ainda não saiba a causa, alguns alertas merecem atenção:
- Falta de apetite ou recusa de comida por mais de 24 horas (em gatos, o risco é maior com jejum prolongado).
- Vômitos repetidos, especialmente com sangue, bile intensa ou após ingerir algo suspeito.
- Diarreia persistente, com sangue ou muco.
- Prostração, apatia, sono excessivo, menos vontade de brincar.
- Perda de peso sem mudança na rotina.
- Coceira frequente, falhas de pelo, pele vermelha ou com feridas.
- Tosse, espirros persistentes, secreção nasal ou ocular.
- Dificuldade para urinar, xixi com sangue, muito esforço ou urina fora do lugar (principalmente em gatos).
- Mau hálito forte, gengiva vermelha, dor para mastigar.
Esses sinais não são “frescura” do pet nem “fase”. São mensagens do corpo. E quanto mais cedo você age, mais simples tende a ser o tratamento.
1) Doenças gastrointestinais: vômito e diarreia são campeões de ocorrência
Problemas gastrointestinais são, disparado, um dos motivos mais comuns de atendimento veterinário. Eles podem acontecer por algo simples (como uma mudança de ração sem adaptação) ou por situações mais complexas (parasitas, intoxicação, infecções, pancreatite, doenças inflamatórias e até corpo estranho).
Principais sintomas
- Vômitos (isolados ou repetidos)
- Diarreia (fezes moles, com sangue ou muco)
- Gases e dor abdominal
- Falta de apetite e apatia
- Desidratação (gengiva seca, olhos “fundos”, pele menos elástica)
O que costuma causar
- Troca de alimentação sem transição
- Ingestão de lixo, ossos, petiscos em excesso
- Parasitas intestinais
- Viroses e infecções
- Intoxicação por plantas, alimentos inadequados ou produtos
Como prevenir
- Fazer transição de ração de forma gradual
- Manter vermifugação e controle de parasitas em dia
- Evitar restos de comida e acesso a lixo
- Oferecer água fresca sempre
Quando procurar um veterinário com urgência: vômito e diarreia persistentes, presença de sangue, sinais de desidratação, filhotes e idosos com sintomas, e qualquer suspeita de ingestão de corpo estranho (brinquedo, pano, osso) ou intoxicação.
2) Parasitas: pulgas, carrapatos e vermes não são “só coceira”
Parasitas são muito mais do que incômodo. Pulgas e carrapatos podem causar anemia, alergias e transmitir doenças. Vermes intestinais roubam nutrientes, afetam imunidade e podem gerar sintomas bem chatos.
Principais sintomas
- Coceira intensa e pele irritada
- Falhas de pelo e feridas por lambedura
- Fezes alteradas, barriga inchada (mais comum em filhotes)
- Perda de peso, fraqueza
- Presença de “pontinhos pretos” no pelo (sujeira de pulga)
Como prevenir
- Usar antiparasitários conforme orientação veterinária (coleiras, pipetas, comprimidos)
- Manter ambiente limpo, inclusive caminhas e frestas
- Vermifugação periódica e acompanhamento de rotina
- Controle reforçado em épocas mais quentes
Quando procurar um veterinário: coceira persistente, feridas, suspeita de anemia (gengiva pálida), filhotes com barriga inchada, diarreia recorrente ou sinais de fraqueza. Muitas vezes, o que parece “só alergia” é infestação ou dermatite secundária.
3) Dermatites e alergias: pele é um termômetro da saúde
Coceira, vermelhidão e otite recorrente são super comuns. Em cães, alergias podem estar ligadas a picadas de pulga, alimento, poeira, pólens e outras sensibilidades. Em gatos, dermatites também aparecem com frequência e podem vir acompanhadas de lambedura intensa e perda de pelo.
Principais sintomas
- Coceira frequente, lambedura e mordidas nas patas
- Vermelhidão na pele, feridas e crostas
- Queda de pelo e cheiro forte na pele
- Otite: coceira na orelha, secreção e mau odor
Como prevenir
- Controle rigoroso de pulgas e carrapatos
- Banhos com produtos adequados e orientação profissional
- Rotina de limpeza do ambiente (reduz poeira e alérgenos)
- Alimentação equilibrada e acompanhamento em casos crônicos
Quando procurar um veterinário: quando há coceira constante, feridas, otites repetidas ou piora rápida. Dermatites costumam “voltar” quando a causa de base não é investigada. Em muitos casos, exames e um plano contínuo fazem toda a diferença.
4) Doenças respiratórias: tosse, espirros e secreção
Problemas respiratórios podem ser leves (como resfriados e alergias) ou mais preocupantes, especialmente quando há febre, dificuldade para respirar ou tosse persistente. Em cães, a chamada “tosse dos canis” pode ocorrer com maior frequência em locais com contato entre animais. Em gatos, complexos virais podem causar espirros, secreção e inflamação ocular.
Principais sintomas
- Espirros frequentes, secreção nasal
- Tosse, engasgos ou pigarro
- Olhos lacrimejando, conjuntivite
- Respiração rápida ou com esforço
- Febre e apatia
Como prevenir
- Vacinação em dia
- Evitar exposição a locais lotados sem proteção adequada
- Manter ambiente ventilado e reduzir fumaça e poeira
- Check-ups regulares, especialmente em animais com histórico
Quando procurar um veterinário com urgência: dificuldade para respirar, língua arroxeada, apatia intensa, febre persistente, filhotes com sintomas, ou tosse que não melhora. Respiração é prioridade: se algo parece “travar”, não espere.
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5) Doenças urinárias: atenção máxima, principalmente em gatos
Problemas urinários em cães e gatos são comuns e podem variar de infecção simples a obstrução, que é emergência. Em gatos machos, a obstrução uretral pode acontecer e exige atendimento imediato.
Principais sintomas
- Urinar pouco ou várias vezes em pequenas quantidades
- Esforço para fazer xixi, miados de dor (gatos)
- Xixi com sangue ou cheiro muito forte
- Urinar fora da caixa (gatos) ou fora do lugar (cães)
- Lambedura excessiva da região genital
Como prevenir
- Estimular ingestão de água (fontes, potes extras, água fresca)
- Oferecer alimentação equilibrada e adequada ao perfil do pet
- Reduzir estresse ambiental em gatos (rotina, enriquecimento, caixa limpa)
- Check-ups e exames periódicos, especialmente em pets com histórico
Quando procurar um veterinário com urgência: se o pet tenta urinar e não consegue, se há dor intensa, prostração, vômitos ou ausência total de urina. Em gatos, isso é emergência real.
6) Saúde bucal: tártaro, gengivite e dor silenciosa
Muita gente normaliza o mau hálito, mas ele pode ser sinal de doença periodontal. Tártaro e inflamação na gengiva causam dor, afetam apetite e podem impactar outros sistemas do corpo ao longo do tempo.
Principais sintomas
- Mau hálito forte
- Gengiva vermelha, sangramento
- Tártaro visível (placas amareladas ou marrons)
- Perda de apetite, mastigação de um lado
- Salivação excessiva
Como prevenir
- Escovação com produtos próprios para pets
- Petiscos e itens mastigáveis indicados por profissional
- Avaliação odontológica periódica
- Limpeza profissional quando recomendada
Quando procurar um veterinário: mau hálito persistente, dor ao mastigar, perda de apetite, sangramento gengival ou tártaro evidente. Saúde bucal é qualidade de vida, sem exagero.
7) Obesidade e problemas metabólicos: quando o “fofinho” vira risco
O ganho de peso é comum em cães e gatos e, muitas vezes, acontece aos poucos. O problema é que obesidade aumenta o risco de diabetes, doenças articulares, problemas cardíacos e diminui a disposição do pet.
Principais sinais
- Dificuldade para sentir as costelas
- Cansaço fácil e menos interesse em brincar
- Ganho de peso progressivo
- Em alguns casos, aumento de sede e urina (alerta importante)
Como prevenir
- Porções ajustadas ao peso e nível de atividade
- Evitar petiscos em excesso e “beliscar” o dia todo
- Rotina de atividade física e brincadeiras
- Acompanhamento com check-up e orientação nutricional
Quando procurar um veterinário: se houver ganho de peso rápido, aumento de sede, urina excessiva, apatia, ou se o pet já está acima do ideal e precisa de um plano seguro. Dieta sem acompanhamento pode dar ruim.
Prevenção na prática: o combo que mais protege seu pet
Se você quiser um caminho simples e eficiente para reduzir risco das doenças mais comuns, pense em prevenção como um pacote:
- Vacinação em dia para reduzir risco de doenças infecciosas e complicações.
- Controle de parasitas o ano todo, não só no verão.
- Check-up veterinário com periodicidade adequada (filhotes, adultos, idosos).
- Alimentação de qualidade e porções ajustadas.
- Hidratação bem cuidada, principalmente em gatos.
- Saúde bucal acompanhada, porque dor de dente em pet existe e é bem mais comum do que parece.
- Ambiente e rotina estáveis, com enriquecimento e menos estresse.
Quando procurar um veterinário imediatamente: lista rápida de emergência
Alguns sinais pedem atendimento rápido, sem “vamos esperar até amanhã”. Se aparecer um deles, procure uma avaliação o quanto antes:
- Dificuldade para respirar, respiração ofegante intensa ou língua arroxeada
- Convulsão ou desmaio
- Suspeita de intoxicação (plantas, remédios, produtos de limpeza, alimentos inadequados)
- Vômitos repetidos com sangue ou diarreia com sangue em grande volume
- Incapacidade de urinar, principalmente em gatos
- Dor intensa, choro contínuo ou abdômen muito sensível
- Traumas, quedas, atropelamentos
Nessas horas, a prioridade é atendimento. Quanto mais cedo o suporte acontece, maiores as chances de recuperação tranquila.
Informação é cuidado, e cuidado é rotina
As doenças mais comuns em cães e gatos têm algo em comum: quase sempre dão sinais antes de virar um problemão. O segredo está em observar o comportamento, respeitar os alertas do corpo e não normalizar sintomas que se repetem. Prevenção não é só “uma ideia bonita”: é o que reduz sustos, melhora bem-estar e, muitas vezes, economiza tempo e sofrimento.
Se você percebeu qualquer mudança relevante no seu pet, ou se quer organizar a prevenção com check-up, vacinas, controle de parasitas e avaliação completa, procure uma equipe veterinária de confiança. Um acompanhamento bem feito é aquele que une acolhimento, técnica e um plano claro para o que seu pet precisa de verdade.
Dica final: se quiser, anote os sintomas com datas e frequência. Esse detalhe ajuda muito na consulta e direciona exames de forma mais precisa.
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